Parentalidade Bondosa e Firme

Um princípio da Disciplina Positiva é ser bondoso e firme ao mesmo tempo. Alguns pais são bondosos, mas não são firmes. Outros são firmes, mas não são bondosos. Muitos pais alternam entre as duas coisas - são bondosos demais, até o ponto em que não suportam mais seus filhos (que desenvolvem uma atitude de poder fazer tudo) e então ficam firmes demais, até não suportarem a si próprios (se sentindo como tiranos).

Os Opostos Se Atraem: Quando Um Pai é Bondoso e o Outro é Firme
É interessante notar o quão frequentemente duas pessoas com filosofias opostas sobre bondade e firmeza se casam. Um tem uma tendência de ser um pouco brando demais. O outro tem uma tendência de ser um pouco rigoroso demais. Então o pai brando pensa que precisa ser ainda mais brando para compensar pelo pai rigoroso. O pai rigoroso pensa que precisa ser mais rigoroso para compensar pela atitude branda do outro pai - então eles vão cada vez mais se distanciando, e brigam sobre quem está certo e quem está errado. Na verdade ambos estão errados. O truque está em ser bondoso e firme ao mesmo tempo.
Unir bondade e firmeza pode ser um desafio para pais que têm o hábito de ir para um extremo ou outro.

A Importância do “E” em Bondoso e Firme
Um dos meus exemplos favoritos de bondoso e firme ao mesmo tempo é, “Eu te amo, e a resposta é NÃO”.
Outros exemplos:
  • Eu sei que você não quer parar de brincar (Validar Sentimentos), e é hora de _____.
  • Eu sei que você prefere assistir TV à fazer sua tarefa (mostrar compreensão), e a tarefa precisa ser feita antes.
  • Você não quer escovar os dentes, e nós vamos fazer isso juntos. Vamos ver quem escova primeiro? (Redirecionar)
  • Eu sei que você não quer cortar o gramado, e qual é o nosso acordo? (Aguarde bondosamente pela resposta - presumindo que vocês decidiram juntos previamente por um acordo).
  • Você não quer ir para a cama, e é hora de ir para a cama. Você quer que eu conte uma ou duas histórias depois que você vestir seu pijama? (Dar escolha?)
  • Eu sei que você quer ficar jogando videogame, e seu tempo acabou. Você pode desligar ele agora, ou será guardado no meu guarda-roupas. (Uma escolha seguida da decisão do que você irá fazer)

Bondade Nem Sempre é Gentileza
A mamãe pássaro sabe instintivamente quando é hora de empurrar seu filhote do ninho para que ele aprenda a voar. Se não soubéssemos disso, poderíamos achar que esse ato não é muito gentil por parte da mamãe pássaro. Se o filhote pudesse falar, ele talvez diria, “Não. Eu não quero sair do ninho. Não seja tão má. Isso não é justo”. No entanto, nós sabemos que o filhote não aprenderia a voar se sua mãe não desse aquele empurrão importante.
Bondade nem sempre é gentileza. Seria pouco amável permitir que seu bebê fosse dependente por toda a vida ao mimá-lo - uma atitude praticada por muitos pais atualmente.
Acho que todos sabemos dos erros que são feitos em nome da firmeza sem bondade. Em uma palavra, é punição. No entanto, muitos não sabem dos erros feitos em nome da bondade, como:
  • Satisfazer
  • Resgatar
  • Proteger demais
  • Mimar - fazer tudo o que a criança quer
  • Microgerenciar em nome do amor
  • Dar opções demais
  • Tentar fazer com que a criança nunca sofra
Todos esses métodos parentais criam fraquezas.
Você pode se surpreender ao ver “tentar fazer com que a criança nunca sofra” como um erro em nome da bondade. A história a seguir, sobre o menino e a borboleta, pode lhe ajudar a entender como resgatar as crianças de todos os sofrimentos cria fraqueza.
Um menino sentia pena de uma borboleta tendo dificuldade em sair de seu casulo. Ele decidiu ajudar, para que pudesse salvar a borboleta daquele sofrimento. Então ele abriu o casulo para a borboleta. O menino ficou muito feliz em ver a borboleta abrir suas asas e voar para o céu. E então ele ficou horrorizado ao ver a borboleta cair em direção ao chão e morrer porque ela não tinha força muscular para continuar voando.
Assim como o menino, pais, muito frequentemente (em nome do amor), querem proteger seus filhos das dificuldades. Eles não percebem que seus filhos precisam se esforçar, lidar com a frustração, solucionar seus próprios problemas, para que eles desenvolvam seus músculos emocionais e as habilidades necessárias para enfrentar as dificuldades ainda maiores que encontrarão em suas vidas.
É importante que os pais não façam as crianças sofrer, mas às vezes é mais útil “permitir” que elas sofram, com apoio.
Por exemplo, suponha que uma criança “sofra” porque ela não pode ter o brinquedo que ela quer. Permitir que ela sofra essa experiência pode ajudá-la a desenvolver seus músculos de resiliência. Ela aprende que pode sobreviver aos altos e baixos da vida - levando a um sentimento de capacidade e competência. A parte do apoio é você validar seus sentimentos, mas evitar resgatá-la ou dar um sermão.
Não é útil quando os pais começam a “pegar carona” - adicionar sermões, culpa e vergonha ao que uma criança está experienciando. “Pare de chorar e de agir igual a uma criança mimada. Você não pode ter o que quer sempre. Você acha que sou feito de dinheiro? Além disso, tudo o que eu ganhei de Natal foram nozes e uma laranja”.
Ao invés disso, os pais podem oferecer apoio e amor. “Eu posso ver que isso lhe aborreceu bastante. Pode ser bastante decepcionante quando nós não ganhamos o que queremos”. Ponto. Eu digo “ponto”, porque alguns pais validam os sentimentos até demais - continuam falando e falando, na esperança que validar os sentimentos irá acabar com o sofrimento da criança.
Valide os sentimentos da criança e então permita que ela se recupere desses sentimentos. “Posso ver que você ficou bastante decepcionado por não conseguir uma nota melhor”. E então vem a parte difícil - nada de resgatar e nada de dar sermões. Simplesmente permita que ela descubra que pode superar sua decepção, e que descubra o que pode aumentar suas chances de conseguir o que ela quer no futuro.

Bondade Sem Firmeza é Permissividade
Muitas pessoas que são atraídas para a Disciplina Positiva erram no lado da bondade. Elas são contra punições, mas não percebem que firmeza é necessário para evitar a permissividade. Permissividade não é saudável para crianças porque é provável que elas concluam que “amor significa fazer os outros cuidarem de mim e me darem tudo o que eu quero".
Tenha fé em suas crianças, de que elas podem aprender e crescer a partir do sofrimento - especialmente em um ambiente de apoio. Entenda que bondade não é sempre gentileza, em termos simples. A verdadeira bondade, e a firmeza, juntas, fornecem um ambiente onde as crianças podem desenvolver as “asas” que precisam para planar pela vida.
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