Como Criar Uma Criança Que Ama a Vida - Parte 1
NT: Este ensaio foi originalmente publicado em The Objective Standard. Por se tratar de um texto longo, aqui ele está dividido em sete partes.
Me dê uma criança em seus primeiros sete anos, e ela será minha por toda a vida. - Os Jesuítas
Crie uma criança com a Questão Mestra, e ela será dela mesma por toda a vida. - Sarah e Craig Biddle
Durante os doze anos em que nós estamos criando nossa filha, nós frequentemente somos questionados sobre nossa abordagem sobre parentalidade, e nós gostamos de compartilhar nossas ideias em inúmeras conversas. Agora que nossa filha tem quase treze anos, ficamos felizes em apresentar a essência de nossa abordagem na forma de um ensaio. Por estarmos apenas na metade dessa aventura maravilhosa, nossa discussão aqui é limitada às nossas experiências e pensamentos sobre criar uma criança até sua pré-adolescência.
Criar filhos é um grande tópico, sobre o qual muitos bons livros e artigos foram escritos (nós recomendamos vários no apêndice abaixo). Nosso propósito neste ensaio não é cobrir todos os aspectos dessa área, nem reafirmar coisas que outros já apresentaram bem. Em vez disso, nosso propósito é o de transmitir um princípio fundamental que determina nossa abordagem a esse empreendimento, e mostrar como esse princípio se aplica a vários contextos e situações parentais.
Em particular, nós não tratamos de educação infantil neste ensaio. Embora a educação seja um aspecto da criação, ela é também uma ciência própria, e nós pensamos ser melhor tratada separadamente. Para uma boa discussão sobre educação, nós recomendamos “The Montessori Method: Educating Children for a Lifetime of Learning and Happiness” (TOS, Summer 2010), de Heike Larson; e “The Hierarchy of Knowledge: The Most Neglected Issue in Education” (TOS, Spring 2006), e “The False Promise of Classical Education” (TOS, Summer 2007), de Lisa VanDamme.
A Questão Mestra
Nós abordamos a parentalidade como abordamos qualquer grande projeto ou empreendimento: primeiramente identificando e esclarecendo o propósito do esforço. O que estamos tentando fazer aqui - e por que?
O propósito da parentalidade, em nossa visão, não é meramente o de criar uma criança para ser um adulto feliz e independente. Esse é um objetivo (e bem importante), mas não é o propósito abrangente.
O propósito da parentalidade, ao nosso ver, é o de habilitar uma criança a aprender sobre o mundo, desenvolver sua mente e suas habilidades, e fazer suas próprias escolhas para que ela possa viver bem e amar sua vida - não apenas a vida adulta, mas também toda sua infância. Isso é um bocado. Felizmente, pensamos que você virá a concordar, essa extensa ideia pode ser condensada em: O propósito da parentalidade é criar uma criança que ama sua vida.
Esse propósito, no entanto, é declarativo. Ele apresenta uma verdade e um objetivo, mas ele não necessariamente ativa as nossas mentes para esse fim. Para transformar esse princípio em uma ferramenta que ativa as nossas mentes, nós o convertemos em uma pergunta: O que eu posso fazer (ou evitar fazer) para possibilitar que minha criança aprenda sobre a realidade, desenvolva sua mente e suas habilidades, e faça suas próprias escolhas para que ela possa viver bem e amar sua vida?
O próprio ato de fazer essa pergunta (ou qualquer versão dela) foca nossas mentes na tarefa de respondê-la. E ao proceder para responder essa questão, em qualquer contexto, nós configuramos nossas mentes ao processo da boa parentalidade. E porque essa questão é tanto central quanto fundamental à nossa abordagem, nós a chamamos de Questão Mestra (QM).
Dependendo do contexto, a QM pode ser formulada ligeiramente diferente ou de forma mais curta. Por exemplo, se uma criança pequena está tentando encaixar uma peça em um quebra-cabeças, a pergunta pode ser: O que eu posso fazer para possibilitar que ela desenvolva sua mente e suas habilidades? E a resposta provavelmente seria: Deixar ela resolver o quebra-cabeças por conta própria. Semelhantemente, se uma criança de cinco anos de idade vem tomar o café da manhã, a pergunta pode ser: O que eu posso fazer para possibilitar que ela faça suas próprias escolhas? E a resposta pode ser: Pergunte se ela prefere comer ovos mexidos ou fritos. A resposta também pode envolver perguntar se ela gostaria de ajudar a preparar a comida essa manhã, o que a daria outra escolha para fazer, e uma oportunidade de desenvolver suas habilidades.
A Questão Mestra se aplica não apenas a eventos passageiros e decisões pequenas, mas também a planejamentos de longo prazo e grandes decisões. Por exemplo, ela se aplica quando os pais estão considerando os possíveis acampamentos de verão para uma criança de onze anos ir. Neste caso, a resposta pode ser: Incluam a criança no processo de pesquisa e de tomada de decisão; peçam para ela ajudar a coletar informações sobre os acampamentos; conversem com ela sobre as questões logísticas e os limites de gastos; peçam para ela pesar os prós e os contras das alternativas; e deixem ela própria escolher o acampamento.
Seja qual for o contexto, o propósito da Questão Mestra é ajudar nós, pais, a manter nosso raciocínio, nossas escolhas, nossas políticas, e nossas ações de acordo com o propósito adequado da parentalidade.
Nós utilizamos essa questão em todas as curvas desses doze anos em que estamos criando nossa filha, e nós a achamos extraordinariamente eficaz.
Durante os primeiros anos, sempre quando uma situação parental surgia, nós conscientemente parávamos e perguntávamos a Questão Mestra em nossas mentes, ou até em voz alta, para nós mesmos. Com o tempo, nós automatizamos o processo de tal forma que sempre que um contexto aplicável surgia, a questão surgia junto com ele. Por quase uma década agora a questão está tão embutida em nossas almas que nosso uso dela tem sido instintivo.
O resultado? Nós temos uma relação maravilhosa e de respeito mútuo com nossa filha, que tem amado completamente sua infância e tem se tornado uma jovem pensativa, entusiasmada e admirável.
Nós pensamos que quaisquer pais que adotem a QM como principal ferramenta para criar seus filhos desfrutarão de resultados similares.
Com certeza a arte da parentalidade é altamente contextual. Toda criança é única, com seu próprio temperamento, personalidade, forças, fraquezas, peculiaridades e necessidades. E cada família tem seu próprio contexto mais amplo também. Nosso foco neste ensaio não está em abordar todas as situações possíveis e variáveis que os pais possam encarar; em vez disso, nosso foco é apresentar a abordagem geral que usamos, e que pensamos que quaisquer pais podem usar, em relação aos seus próprios contextos e com resultados profundamente positivos.
Em suma, nós focamos em mostrar que, no campo da parentalidade, a Questão Mestra é a chave mestra.
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